25 setembro 2008

Democracia - Parte II

Um desejo de liberdade, de poder se expressar, de livre iniciativa? Neste começo de século XXI o conceito de democracia continua (e mais do que nunca) sendo debatido, interpretado, proposto como solução para os males da Humanidade, rejeitado e, por vezes, nem sequer considerado.

A conjuntura atual - moderna ou pós-moderna, a nomenclatura pouco importa - nos apresenta situações dilemáticas, até mesmo paradoxais: como pôde a democracia, enquanto valor político, moral e cultural, se impor numa época em que o recrudescimento das disputas locais parece aumentar em decorrência das incertezas planetárias?

Nesta era globalizada, onde a tecnologia da informação permite um tráfego de capitais, saberes e símbolos nunca antes experimentado, a democracia encontra resistências para afirmar-se; temos aquilo que muitos consideram como sendo uma "democracia formal", referendada em constituições nacionais, porém a dinâmica dos processos econômicos, políticos e culturais - não só a nível global mas também com fortes raízes nas especificidades regionais - parece obstaculizar sua realização enquanto ideal de organização política da sociedade moderna.

É curioso também verificar como a idéia de democracia chegou no ocidente tardiamente: sufocada após a decadência da Antiga Grécia, esquecida durante a Idade Média, somente foi resgatada pelo Iluminismo dos século XVIII e XIX. A recolocação do povo no centro das atenções políticas já se manifestava na obra de Maquiavel (autor florentino do alvorecer do movimento Renascentista europeu), que ao analisar a reprodução do poder político na história (sempre nas mãos de tiranos, imperadores, príncipes ou da igreja) alertava para a importância e até mesmo a necessidade de se considerar as demandas populares na agenda de governo seja da cidade-estado, do principado ou do moderno Estado-nação.

Hoje vivemos no mundo da Internet, da comunicação instantânea. Numa certa dimensão podemos afirmar que a democracia aconteceu, inclusive de um modo que Marx e os demais autores do Iluminismo do século XIX não poderiam conceber - e ainda mais remota seria a possibilidade de tal conjuntura ser pensada nos cânones do pensamento clássico. No entanto, foi refletindo sobre o ideal democrático clássico, precisamente o modelo ateniense de polis, que pensadores como Rousseau, Diderot, o próprio Marx e outros conceberam um ideal "libertário" para os povos, nos moldes de uma governabilidade sustentada pelo princípio democrático. Porém - e isto é evidente - assistimos neste verdadeiro "laboratório" que foi o século XX várias experiências políticas que fracassaram neste intento (inclusive o chamado "socialismo real").

Hoje, podemos dizer que o mundo é mais democrático do que foi em qualquer outra época histórica; mas será que vivemos numa democracia de fato?

Fonte: www.economiabr.net

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4 comentários:

  1. Monika,

    acho que tua frase final define muito bem a situação: diferença entre ser o mais democrático até então e ser uma democracia.

    eu sinceramente não sei se algum dia vamos alcançar um equilíbrio de poder que permita uma democracia plena. Nossas relações cotidianas são profundamente anti-democráticas, nossa sociedade é marcada pela opressão, em diferentes níveis...

    mas eu gosto de sonhar com um mundo liberto de todas essas desigualdades.

    Parabéns pelo texto, é muito bom!

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  2. Nem no grande império do norte a democracia é plena. É uma pena. Todas elas são relativas. Abraços.

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  3. "mas será que vivemos numa democracia de fato?"


    Uma lei proíbe falar de política e dos políticos, nos momentos mais oportunos... Na hora das eleições!

    Escrevi um pequeno texto sobre a situação política da minha cidade, mas não posso distribuí-lo, pois estou sujeito a ser excluído de alguns sites de relacionamentos...

    Uma forma escandalosa de esconder os podres, é proíbir de falar neles...

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  4. Gostei deste texto, bom mesmo... valeu a pena ler até o final. E super cabível, ainda mais nas vésperas das eleições municipais.

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